Bertho Filho, o cego jovem



Convidado por Edgard Navarro para ser o produtor do elenco de ‘OHQND’, Bertho Filho discutiu cuidadosamente com o diretor a escolha de cada ator. Sua identificação com Navarro - que também “sofre pela arte”, como ele mesmo diz - o fez mergulhar de cabeça neste trabalho que apresenta uma maneira diferente de fazer cinema. “Acho que o ‘OHQND’ tem um roteiro lindo, é um filme escandaloso”, deleita-se.

Betho já foi preparador e produtor de elenco de diversos filmes: em Trampolim do Forte, de João Rodrigo Mattos, foi produtor de elenco, mas entrega que aprendeu tudo o que sabe sobre preparação com Luís Mário Vicente (preparador do elenco de Trampolim), a quem chama de generoso. No curta Ilha do Rato, do grupo Bagunçaço, sob a direção de Bernard Attal, foi preparador, assim como Premonição, de Pedro Habib.

Seu primeiro trabalho como ator foi como figurante no longa Tieta do Agreste, de Cacá Diegue. Depois vieram o internacionalmente premiado Central do Brasil, de Walter Salles; Esses Moços, de José Araripe; Eu me Lembro, premiado filme do próprio Edgard Navarro; Cascalho, de Tuna Espinheira; além dos curtas-metragens Cega Seca e Vermelho Rubro no Céu da Boca, ambos de Sofia Federico. Um dia após concluir as gravações do longa de Paulo Alcântara, Os Estranhos, Bertho sofreu um aneurisma cerebral. Dias internado e muito acompanhamento médico depois, o preparador, produtor de elenco e ator, se reestabeleceu e avalia tudo o que passou: “Isso me fez perder a ingenuidade, mudou meu modo de encarar o trabalho, me fez refletir melhor sobre a vida, me melhorar como profissional e como ser humano”.

Agora, encerrada as filmagens de ‘OHQND’, Bertho espera retomar suas participações em Capitães de Areia, de Cecília Amado; e Cuíca de Santo Amaro, de Joel de Almeida e Josias Pires.

Em 'OHQND', além de produtor de elenco, atuou como o 'Cego Jovem' da trama. Bertho diz considerar Edgard um gênio e que aceitou o convite pro papel mesmo sem ter lido o roteiro: "Foi uma experiência muito bacana ter vindo filmar em Igatú, embora vividos os momentos de confinamento, quase um Big Brother, pra concluir este filme. Navarro escreve lindamente como quem propaga coisas das memórias dele e, como sou do interior, estes são elementos do meu universo e me deixam muito emocionado. Edgard é um ser humano muito bacana, mas às vezes um chato. Não, um chato não, um chatinho porque ele é mesmo um gênio do nosso cinema.", gargalha.

Um comentário:

nyuwa disse...

Hum pelo q vejo esse filme promete em Bertho?
Parabéns!Te desejo todo de melhor hoje e sempre.
bjk